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O nome dela é Rayssa Leal

Imagem: Internet

Uma pequena jovem de 13 anos de idade, atravessou 12 fusos horários, sobrevoando oceanos e continentes até chegar no Japão para com muita alegria subir ao pódio olímpico ao conquistar a medalha de prata. O skate é dela, o mérito é dela e a medalha, indiscutivelmente, é dela. Mas quem é ela?

Ela tem nome, chama-se Rayssa Leal e sim, é verdade, ela têm apenas 13 anos de idade e muito equilíbrio não só para se manter em movimento numa pequena taboa com rodas como para vencer todos os desafios até chegar ao ápice, desejo de todo o atleta olímpico, que é conquistar sua medalha.

Rayssa é o nome dela, Rayssa Leal, mas aqui no Brasil tudo, ou quase tudo, se transforma em marca, pra não dizer mercadoria. A televisão faz o papel de transformar pessoas em "produtos", faz o (im)possível para transformar os méritos pessoais em criações suas, ou melhor, criações como se fossem suas.

Existe, quem sabe, um certo fetiche com a elitização das coisas, uma forma de dizer ao povo que seu produto é de qualidade e por isso merece ser consumido (no caso visto, revisto, visto mais, mais mais, vezes outras muitas vezes) e para que a referência de bom produto esteja vinculada ao indivíduo o que poderia ser melhor do que vinculá-lo ao passado imperial brasileiro? Porque não dar um título de nobreza à personalidade?

Foi seguindo esta lógica que nasceu o "rei" Pelé; o "rei" Roberto; a "rainha" Xuxa, rainha dos baixinhos e quem se lembra do "imperador" Adriano?

Agora temos uma pré-adolescente, muito querida e competente que deve ser apresentada ao público, mas como, "rainha" do Skate? Não sei, acho que ainda está muito jovem para assumir o trono. Então quem sabe princesa? Mas poxa vida, ela só têm 13 anos, é preciso aproximá-la de seu público sem distancia-la dos possíveis patrocinadores. E assim nasce, como num conto de fadas, a "fadinha" do Skate. Se a infantilização da televisão deu certo com apresentador falando com cavalos vestidos com camisas de times de futebol (virando produto); quem disse que uma fadinha do skate não teria o mesmo belo apelo comercial/publicitário?

Mas alguém perguntou se a protagonista da história quer ser conhecida pela sua personagem? Será que um vídeo caseiro de uma criança andando de skate com um vestido de fada é um bom motivo para colar uma alcunha de "fadinha" numa campeã olímpica? Especialmente se ela não se reconhece nesse apelido? Pelo menos é isso que aparentemente ocorre já que a fala da Rayssa em uma chamada do Jornal Nacional de hoje (31) esclarece que sua vontade era outra.

 Na verdade sempre quis que todo mundo me conhecesse mais pelo meu nome, mas fadinha agora é tipo meu sobrenome agora, é isso, tenho que me acostumar agora. disse Rayssa Leal.

Se o vídeo dela for o único motivo para chama-la de fadinha do skate em todos os momentos pós-olimpíadas, mesmo ela verbalizando que não era esse seu desejo e que ela está apenas se "acostumando" com o desejo da grande mídia, se o vídeo fosse o pretexto para inspirar um apelido, tenho certeza que ninguém iria chamar Cláudia Raia de Cláudia Raia, pois ela seria conhecida como Tancinha da Sassaricando e o brilhante Lima Duarte, esse sim, seria conhecido, desde 1985, como Sinhozinho Malta de Roque Santeiro. Mas nestes dois exemplos e em muitos outros que eu poderia aqui listar, as personagens foram importantes, mas os atores saíram ilesos e mantiveram suas próprias identidades, esse é o desejo da Raysa Leal que, ao que parece, se identifica como Rayssa Leal e não como uma fadinha e por conta disso devemos chama-la como ela gostaria de ser chamada e lembrada, como Rayssa Leal, a mais jovem atleta brasileira a ganhar uma medalha olímpica.

E com a licença do grande Lima Duarte eu pergunto: Tô certo ou tô errado?


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