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Dia dos Pais, na vala comum

 O título deste post meio que denuncia o que tenho a dizer sobre o dia dos pais não é mesmo? Mas sugiro que você continue lendo pois pode ser que você se surpreenda já no próximo parágrafo, ou não. Não quero criar nenhum tipo de expectativa para com essas poucas linhas, no máximo é um texto para confundir meu psicólogo, ainda não apresentado.

Foto: Pixabay

Não vou ficar de enrolação, geralmente não aguento esconder já nas primeiras linhas o que quero dizer. A não ser que eu não tenha certeza se o que quero dizer deve mesmo ser dito e, se for o caso, pode acontecer duas coisas, eu apago o que escrevi, e se você está lendo isso então a primeira opção já está descartada, ou eu acabo prometendo dizer uma coisa e acabo por não dizê-la, deixando o texto confuso para quem lê, mas muito explícito aqui em minha confusa cabeça. Enfim, acho que estou pegando o jeito de enrolar um pouco não?

Vamos voltar ao dia dos pais, para quem espera que eu vá dizer que trata-se apenas de uma data comercial, assim como o dia das mães, o dia das crianças, natal, etc. etc, não vou decepcionar, é apenas uma data comercial, contudo, sempre pode existir um contudo, então preste atenção. Contudo, hoje a data dos dias dos pais e muitas outras servem não só para aquecer o comércio como também para alimentar as tais redes sociais. Numa breve passada de olhos nas redes sociais de amigos ví um grande número de país e filhos, filhos e pais. O que seria dos dias dos pais se não fosse as redes sociais não? Onde posso exibir "meu amor" para que todo mundo veja? Um amor que espera curtidas e comentários fofinhos.

Deixe eu mudar o tom, o dia dos pais é um dia realmente especial em que nós podemos expor o verdadeiro sentimento que une filhos e pais, e como é bonito ver esse amor extravasar nas redes sociais, famílias lindas e felizes que nos enche de esperança de um Brasil que está aí, em pleno século XXI dando exemplo de pátria e família. Eu sei, prometi mudar o tom, mas a ironia está comendo solta né? Deixe-me explicar, vamos ao próximo parágrafo.

Fico indignado com a apropriação que o mercado faz em tudo que coloca a mão (a tal mão invisível do mercado). O capital apropria-se de tudo e a tudo transforma em mercadoria, inclusive, adivinhem, o dia dos pais. Teria como ser diferente? Como seria um verdadeiro dia dos pais sem essa preocupação em presentear, em publicitar o amor em redes sociais às vezes para pais que nem internet usam?

A coisa é tão escancarada que mostra apenas um preocupação, divulgar os gastos médios que a população fará no esperado evento.

Com média de gastos de R$ 208, comércio deve se recuperar no Dia dos Pais. O Dia dos Pais, comemorado neste domingo (8.ago.2021), deve movimentar R$ 6,03 bilhões em 2021, segundo a projeção da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Dá para entender que o dia dos pais se tornou um evento do comércio uma data para lucrar e, para as redes sociais, outro nicho para exploração publicitária, através da evidente exposição social. Em alguns casos é possível saber mais sobre o pai dos amigos virtuais que do nosso próprio, tamanha a exposição feita por eles, sem julgamentos, apenas observando os fatos. 

Do jeito que as coisas se apresentam, o dia dos pais cai numa espécie de vala comum. Aparentemente existe uma "obrigatoriedade social"  de exposição do amor entre pais e filhos, geralmente registrado apenas no segundo domingo de agosto e esquecido nos demais dias do ano. O que não é uma exclusividade do pais, acontece algo semelhante com o dia das mães e com outras datas que disseram para nós comemorarmos.

Realmente eu pergunto, será que precisava de tudo isso? Ou um "eu te amo pai" já seria suficiente para aquecer nossos corações? Sem internet, sem comércio, sem presente, apenas ser presente, não só no segundo domingo de agosto, mas numa vida toda enquanto for possível. É assim que imagino um feliz dia com o pai.

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