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Hoje a aula foi sobre desigualdade socioeconômica

    Na aula online é assim, eles lá e eu cá. O chamado ensino remoto tornou-se uma realidade, meio que forçada, do cotidiano de professores e alunos Brasil adentro. Esse é mais um desafio que a educação brasileira tenta enfrentar e que ainda não temos condições de avaliar o quanto ajudou e o quanto atrapalhou no desenvolvimento dos estudantes.

    Fato é que, já há quem diga que levaremos décadas para recuperar o que estão chamando de "tempo perdido" da educação nestes tempos pandêmicos, eu não acredito muito nestes números, aliás de onde eles vêm? São baseados em quais pesquisas? Se é que foram feitas pesquisas (sérias) sobre esse assunto. Na verdade não se pode levar a sério uma pesquisa que não tenha tempo suficiente para se compreender, analisar e comprovar todas as variantes e dados coletados e, no caso do atual sistema de ensino remoto, dados ainda por serem coletados.

    O fato é que enquanto os dados não são cientificamente tratados, ao menos de forma séria como uma pesquisa em ciências humanas deve ser tratada, as condições nada fácies para o professor e para o aluno são inquestionáveis, ao menos é isso que aponta as primeiras observações empíricas sobre o assunto.

    Mesmo com todas as aparentes dificuldades é possível fazer uma aproximação entre professor e aluno usando o método de ensino remoto? Penso que a resposta seja um sim, é possível, desde que... O "desde que" é aquilo que dará aos professores e alunos as mínimas condições para um efetivo trabalho pedagógico, mesmo que de forma remota. E, ao considerar as desigualdades territoriais brasileiras não podemos pensar que possa existir um único "desde que" e sim vários deles. Cada um, professor e aluno, deve receber diferentes auxílios de acordo com suas necessidades específicas na busca de uma equalização do atendimento remoto.

    Considerando que as diferenças não existam e que todos pudessem ter o acesso e as condições mínimas para um atendimento remoto (é preciso analisar melhor o que seriam essas condições mínimas, deixemos para um texto futuro) o trabalho pedagógico poderia ser a única preocupação para uma relação de proximidade entre professores e alunos.

    Em uma dessas aulas remotas, cujo tema tratado era a desigualdade socioeconômica da população mundial, muitos dos meus alunos conseguiram compreender que não se resolve o problema do empobrecimento das pessoas sem que a perversidade da desigualdade social seja abertamente debatida e combatida. Compreendem que não basta um celular com acesso à internet para que tenham uma mínima possibilidade de participar de uma aula remota, as condições que (não) são dadas, de longe, não são suficientes para uma real inserção no mundo para uma educação digital.

    As aulas de Geografia, na perspectiva da Geografia Escolar, possibilitam essas discussões que, necessariamente, antecipam a vontade de mudar as condições de degradação as quais parte da população são submetidas em favor de uma pequena parcela que, dentro deste contexto, pode ser considerada sim privilegiada.

    Discutir as desigualdades socioeconômicas nas aula de Geografia é buscar a compreensão de que privilégio e perversidade são os dois lados de uma mesma moeda. Privilégio para uns e perversidade para outros, essa é a realidade que vivemos hoje, esses são os dois lados de uma mesma moeda. Alguém aí arrisca dizer de que moeda estamos falando? Creio que meus alunos já sabem.

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